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Por Felipe Held, especial para a GE.Net
Foto: AFP
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| Neste domingo, Guga foi homenageado com um troféu comemorativo em Roland Garros |
A carreira do maior tenista brasileiro da história
chegou ao fim neste domingo. O catarinense Gustavo Kuerten
pôs fim à sua premiada trajetória no circuito
ao ser derrotado pelo francês Paul-Henri Mathieu por
3 sets a 0, com parciais de 6/3, 6/4 e 6/2 na primeira rodada
de Roland Garros em uma partida que emocionou. Assim como emocionou
11 anos atrás, quando, na mesma quadra Philippe Chatrier,
o magricela azarão despachou favoritos e levantou a
cobiçada taça francesa.
Guga influenciou uma geração de brasileiros
e também foi exemplo para outros tenistas ao redor do
planeta. Nomes como os do suíço Roger Federer
e do espanhol Rafael Nadal já reverenciaram o ex-número
um do mundo, que superou a falta de incentivos para um esporte
elitizado e cravou seu nome na história do tênis
masculino.
Com 20 títulos de simples no currículo e mais
oito de duplas, Guga acaba deixando o esporte que ama em decorrência
de uma lesão crônica no quadril. Mesmo depois
de passar por duas cirurgias na bacia, o catarinense - hoje com
32 anos - vez ou outra lembra o genial Gustavo Kuerten com esquerdas
paralelas indefensáveis, mas seu condicionamento físico
nem de longe é o mesmo de oito temporadas atrás.
E ele próprio reconhece.
“Peço até desculpas por parar. Não é que
eu não queira mais jogar, mas realmente eu não
consigo mais”, explicou Guga em um dos momentos mais
emocionantes de sua carreira: em fevereiro deste ano, quando
foi eliminado do Torneio da Costa do Sauípe pelo argentino
Carlos Berlocq por 7/5 e 6/1 e comoveu o público presente
na cidade baiana.
“Amei este esporte e vivi intensamente os anos em que
pude jogar o meu melhor. Hoje saio feliz, satisfeito e orgulhoso
por este carinho que consegui de vocês (torcedores brasileiros).
Nunca, nos meus melhores sonhos, imaginei todas estas homenagens.
Nunca achei que isso ia acontecer”, confessou.
Mas qual o legado que Gustavo Kuerten deixa para o tênis
brasileiro? É inegável que inúmeros garotos
hoje na faixa dos 20 anos passaram a se interessar por tênis
após assistirem às principais conquistas do tricampeão
de Roland Garros no final da década passada e no início
da atual. Muitos deles, inclusive, começaram as dar suas raquetadas
e até chegaram ao circuito profissional. Em contrapartida,
basta analisar friamente para que uma pergunta incômoda
surja: terá sido em vão?
Semifinalista da Copa Davis em 2000, o Brasil atualmente disputa
o Zonal Americano 1 da competição – o
equivalente à segunda divisão. O melhor tenista
brasileiro no ranking de entradas da ATP é Thomaz Bellucci,
apontado como uma das maiores promessas que o tênis verde
e amarelo já teve depois de Guga. Atualmente, o paulista
de Tietê ostenta a 76ª posição da
lista.
Durante grande parte dos anos de 2006 e 2007, no entanto,
a situação era ainda mais preocupante, e por
muitas vezes o país não tinha um representante
sequer no grupo entre os 100 melhores. Entre os 50, então,
o último foi Ricardo Mello (hoje 199º), em julho
de 2005. Prova de que a geração
pós-Guga não tirou proveito das portas abertas
pelo catarinense. O motivo? Muitos culpam a antiga administração
da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).
Mas há um fio de esperança: além de Bellucci,
a nova safra de tenistas brasileiros surgindo no circuito é apontada
como uma das mais promissoras, formada por nomes como os de
João Olavo Souza, o Feijão, Fernando Romboli,
Henrique Cunha e Zé Pereira Jr – tenistas que
já estiveram entre os melhores do ranking de juvenis
da Federação Internacional de Tênis (ITF).
Confira, nesta reportagem especial preparada pela Gazeta Esportiva.Net,
a opinião de tenistas de diferentes gerações
sobre a aposentadoria de Guga, o legado que ficará para
o Brasil após a passagem inesquecível do Manezinho
da Ilha pelas quadras do mundo e, também, uma entrevista
exclusiva com Thomaz Bellucci, o melhor do país segundo
o ranking de entradas da ATP. |