Voltar para a home Quarta, 03 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
26/05/2008
Foto: AFP

Por Felipe Held, especial para a GE.Net

Foto: AFP
Foto: AFP
Foto: AFP
Neste domingo, Guga foi homenageado com um troféu comemorativo em Roland Garros

A carreira do maior tenista brasileiro da história chegou ao fim neste domingo. O catarinense Gustavo Kuerten pôs fim à sua premiada trajetória no circuito ao ser derrotado pelo francês Paul-Henri Mathieu por 3 sets a 0, com parciais de 6/3, 6/4 e 6/2 na primeira rodada de Roland Garros em uma partida que emocionou. Assim como emocionou 11 anos atrás, quando, na mesma quadra Philippe Chatrier, o magricela azarão despachou favoritos e levantou a cobiçada taça francesa.

Guga influenciou uma geração de brasileiros e também foi exemplo para outros tenistas ao redor do planeta. Nomes como os do suíço Roger Federer e do espanhol Rafael Nadal já reverenciaram o ex-número um do mundo, que superou a falta de incentivos para um esporte elitizado e cravou seu nome na história do tênis masculino.

Com 20 títulos de simples no currículo e mais oito de duplas, Guga acaba deixando o esporte que ama em decorrência de uma lesão crônica no quadril. Mesmo depois de passar por duas cirurgias na bacia, o catarinense - hoje com 32 anos - vez ou outra lembra o genial Gustavo Kuerten com esquerdas paralelas indefensáveis, mas seu condicionamento físico nem de longe é o mesmo de oito temporadas atrás. E ele próprio reconhece.

“Peço até desculpas por parar. Não é que eu não queira mais jogar, mas realmente eu não consigo mais”, explicou Guga em um dos momentos mais emocionantes de sua carreira: em fevereiro deste ano, quando foi eliminado do Torneio da Costa do Sauípe pelo argentino Carlos Berlocq por 7/5 e 6/1 e comoveu o público presente na cidade baiana.

“Amei este esporte e vivi intensamente os anos em que pude jogar o meu melhor. Hoje saio feliz, satisfeito e orgulhoso por este carinho que consegui de vocês (torcedores brasileiros). Nunca, nos meus melhores sonhos, imaginei todas estas homenagens. Nunca achei que isso ia acontecer”, confessou.

Mas qual o legado que Gustavo Kuerten deixa para o tênis brasileiro? É inegável que inúmeros garotos hoje na faixa dos 20 anos passaram a se interessar por tênis após assistirem às principais conquistas do tricampeão de Roland Garros no final da década passada e no início da atual. Muitos deles, inclusive, começaram as dar suas raquetadas e até chegaram ao circuito profissional. Em contrapartida, basta analisar friamente para que uma pergunta incômoda surja: terá sido em vão?

Semifinalista da Copa Davis em 2000, o Brasil atualmente disputa o Zonal Americano 1 da competição – o equivalente à segunda divisão. O melhor tenista brasileiro no ranking de entradas da ATP é Thomaz Bellucci, apontado como uma das maiores promessas que o tênis verde e amarelo já teve depois de Guga. Atualmente, o paulista de Tietê ostenta a 76ª posição da lista.

Durante grande parte dos anos de 2006 e 2007, no entanto, a situação era ainda mais preocupante, e por muitas vezes o país não tinha um representante sequer no grupo entre os 100 melhores. Entre os 50, então, o último foi Ricardo Mello (hoje 199º), em julho de 2005. Prova de que a geração pós-Guga não tirou proveito das portas abertas pelo catarinense. O motivo? Muitos culpam a antiga administração da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

Mas há um fio de esperança: além de Bellucci, a nova safra de tenistas brasileiros surgindo no circuito é apontada como uma das mais promissoras, formada por nomes como os de João Olavo Souza, o Feijão, Fernando Romboli, Henrique Cunha e Zé Pereira Jr – tenistas que já estiveram entre os melhores do ranking de juvenis da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Confira, nesta reportagem especial preparada pela Gazeta Esportiva.Net, a opinião de tenistas de diferentes gerações sobre a aposentadoria de Guga, o legado que ficará para o Brasil após a passagem inesquecível do Manezinho da Ilha pelas quadras do mundo e, também, uma entrevista exclusiva com Thomaz Bellucci, o melhor do país segundo o ranking de entradas da ATP.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net