Voltar para a home Quinta, 28 de Agosto de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
12/07/08
Montagem sobre foto AFP
Por Felipe Held, especial para a Gazeta Esportiva.Net

Foto Acervo / Gazeta PRess

Didier Deschamps foi o responsável por levantar a única Copa do Mundo conquistada pela França

O Brasil fez festa em 29 de junho para comemorar o aniversário de 50 anos da primeira Copa do Mundo conquistada pela seleção canarinho, em 1958. Pouco depois de duas semanas, no entanto, é impossível esquecer uma das maiores decepções proporcionadas pelo futebol canarinho à torcida: neste sábado, dia 12 de julho, completam-se dez anos da derrota na final da Copa do Mundo de 1998, na França.

Perder uma final de Copa do Mundo para uma equipe bem comandada e atuando em casa pode ser considerado um fracasso? Não necessariamente, mas as circunstâncias que envolveram aquela final no estádio de Saint-Denis com certeza ainda evocam um debate entre os torcedores brasileiros. Além de perder por 3 a 0 para os anfitriões, o Brasil ainda viu um mistério crescer cada vez mais – e, aparentemente, continuar sem explicações mesmo após uma década.

A seleção brasileira entrou em campo naquele 12 de julho de 1998 abalada, mas completa. Em campo estavam Taffarel; Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; César Sampaio, Dunga, Leonardo e Rivaldo; Bebeto e Ronaldo. O Fenômeno, melhor do mundo segundo a Fifa em 1996 e 1997, era a grande esperança da equipe nacional em busca do penta.

Mas o que o mundo viu há dez anos foi apenas um combalido Ronaldo, que, segundo declarações pouco convincentes da delegação brasileira, havia tido uma convulsão horas antes da final. O reserva imediato Edmundo chegou a ter seu nome na lista de titulares divulgada antes da partida, mas foi o Fenômeno quem começou a final. E a atuação do camisa nove simbolizou a performance apática da equipe canarinho, a melhor do mundo na época e franco-favorita ao troféu.

Enquanto o Brasil ainda se pergunta o real impacto que a convulsão de Ronaldo teve na seleção, a França se vangloria pela surpresa tática proporcionada pelo técnico Aimé Jacquet naquela manhã, e que foram decisivas à noite. “No treino da manhã, em Clairefontaine, que decidimos organizar na última hora, passamos informações aos rapazes sobre certos aspectos de jogo dos brasileiros”, revela Jacquet, em entrevista à Gazeta Esportiva.Net. “Explicitamos algumas das fraquezas nas bolas paradas, escanteios em particular. Naquela manhã, o Zidane recebeu instruções bem precisas sobre como se posicionar em campo e aproveitar essas deficiências.”

Foto Acervo / Gazeta Press

Cabeçadas de Zidane: tática planejada de Aimé Jacquet para superar a favorita seleção brasileira

E a sacada de mestre de Jacquet foi profética: aos 27 minutos do primeiro tempo Zidane penetrou no meio da zaga verde e amarela e, sozinho, desviou de cabeça o escanteio cobrado pela direita. Nos acréscimos da etapa inicial, novo tiro de canto – desta vez pela esquerda – e mais uma desatenção brasileira na marcação de Zizou: 2 a 0.

Zagallo bem que tentou colocar o Brasil no ataque, sacando o volante César Sampaio e o meia Leonardo para as entradas de Edmundo e Denílson. Quem marcou, no entanto, foi o volante Emmanuel Petit, em jogada de contra-ataque, definindo aos 46 minutos do segundo tempo a vitória francesa por 3 a 0. Festa em Saint-Denis ao som da Marselhesa, e a primeira Copa do Mundo para o time gaulês.

O Brasil se recuperou do baque, e apesar de oscilar muito, conseguiu faturar o penta quatro anos mais tarde, em 2002, sob o comando de Luiz Felipe Scolari e com uma atuação irretocável do desacreditado Ronaldo. A França, embora não tenha conseguido levar mais uma Copa para casa, ressurgiu após o título de 1998 e se tornou uma das principais seleções do mundo, conquistando a Euro em 2000 e chegando à final da Copa de 2006.

Nesta reportagem especial, a GE.Net ainda traz a ficha técnica pós-Copa dos 44 jogadores envolvidos na decisão de 12 de julho de 1998 (os 11 titulares e os 11 reservas das duas equipes), e ainda uma entrevista com o estrategista Jacquet.

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