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09/05/2008
Montagem sobre foto de Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Júlio Simões, especial para a GE.Net

Foto Fernando Pilatos / Gazeta Press

São Paulo conquistou seu 5º título em 2007
 
Matar ou morrer

Há quem diga que a disputa para não cair à Série B do Campeonato Brasileiro é mais acirrada até do que a briga pelo título. Como de costume, os quatro que ascenderam da Série B já entram como principais candidatos à degola.

Um caso típico é o Ipatinga, que em 2008 comemora 10 anos de existência e disputará pela primeira vez a elite brasileira. Porém, o Tigre do Vale do Aço terá que mostrar muito mais futebol do que o apresentado no Campeonato Mineiro, quando terminou em penúltimo lugar e acabou rebaixado ao Módulo II, se não quiser voltar à divisão de acesso em 2009.

Outro time que precisa tomar cuidado com a queda é o Goiás, que já acumula oito anos consecutivos na elite, mas em 2007 escapou de ser rebaixado apenas na última rodada. Já o Coritiba, que caiu em 2005 e voltou, terá que provar que tem condições de seguir na elite daqui para frente. Na mesma corda bamba está o Náutico, que subiu em 2006 e quase desceu em 2007.

Porém, aqueles que conseguirem afastar a ameaça da zona de rebaixamento, terão como consolo a vaga na Copa Sul-americana. O segundo torneio continental em importância dá vagas aos classificados do quinto ao 12º colocado e, apesar do descrédito, é visto com bons olhos por clubes que visam ganhar experiência internacional e algum dinheiro.

É o caso do Grêmio, que em outras épocas brigou por Libertadores, mas que agora passa por uma fase conturbada após a demissão de Vagner Mancini – substituído pelo já ameaçado Celso Roth – e mudanças na política interna. Além do time gaúcho, Atlético-MG e Atlético-PR também tiveram tempos melhores, mas agora lutam apenas pela modesta Sul-americana.

Já Portuguesa, Figueirense, Sport e Vitória-BA começam o Campeonato Brasileiro sob desconfiança de seus torcedores. A Lusa retorna a Série A neste ano, mas vem de uma modesta 10ª posição no Campeonato Paulista. Já catarinenses, pernambucanos e baianos vêm de conquistas estaduais, mas acumulam campanhas pífias em outros anos. É esperar para ver.

Nos dois últimos anos, todas as projeções feitas às vésperas do início do Campeonato Brasileiro apontavam um grande favorito ao caneco: o São Paulo. Em 2008, porém, a queda de rendimento do clube paulista no início do primeiro semestre fez aumentar a concorrência e acirrar a ainda mais a disputa de um dos torneios mais competitivos do mundo.

Entre os times que começam o Brasileirão querendo ocupar a vaga que foi do São Paulo em 2006 e 2007, por exemplo, está o rival Palmeiras. A parceria firmada com a empresa de marketing esportivo Traffic trouxe ao Verdão os reforços necessários para acabar com o jejum de 12 anos sem títulos estaduais e entrar como favorito na competição.

E se não bastassem nomes como Diego Souza, Lenny, Henrique, Kléber, Alex Mineiro e Denílson, todos contratados antes do Campeonato Paulista, o Palmeiras, agora sob o comando do pentacampeão nacional Wanderley Luxemburgo, reforçou o banco de reservas trazendo o lateral-direito Fabinho Capixaba, o volante Sandro Silva (ambos do Mirassol), o lateral-esquerdo Jefferson (Guaratinguetá) e o volante Jumar (Paraná).

Além disso, o Palmeiras entra com um detalhe de vantagem sobre os concorrentes ao titulo nacional. Como foi eliminado da Copa do Brasil pelo Sport e disputa a Copa Sul-americana apenas no segundo semestre, o time de Palestra Itália focará todas as suas atenções no torneio nacional durante os primeiros seis meses, podendo assim juntar a "gordura" necessária para manter-se entre os líderes.

Outro que tem o sucesso estadual a seu favor é o Internacional, que foi campeão gaúcho sobre o Juventude, com direito à goleada de 8 a 1 no segundo jogo. Porém, a pressão para apagar o desempenho ruim da temporada passada, quando caiu precocemente na Libertadores e no Gaúcho, além de ter terminado o Nacional só em 11º, impede que o time de Abel Braga tenha qualquer outra pretensão que não a do título.

Na meta, revezam-se o experiente Clemer e o promissor Renan, enquanto Marcão e Magrão lideram a zaga, Guiñazu e Alex organizam o meio-campo e Nilmar e Fernandão tratam de finalizar para o time gaúcho. Tal espinha dorsal é a aposta para um melhor desempenho nesta edição do Nacional.

Os cariocas Flamengo e Fluminense, por outro lado, investiram na renovação para buscar o sucesso. Os dois não mediram esforços para contratar, especialmente visando a disputa da Copa Libertadores. Enquanto o Fla trouxe os meias Kleberson, Marcinho e o atacante Diego Tardelli, o Flu contratou os avançados Dodô, Washington e o meio-campo Dario Conca.

O Flamengo, no entanto, começa a competição em momento difícil. Perdeu Joel Santana, que assinou com a África do Sul para a Copa-2010, e foi eliminado traumaticamente da Libertadores após ter ganho o campeonato estadual. Caio Júnior assume o time em momento difícil.

Outro campeão estadual que fazia boa campanha no torneio continental, mas acabou eliminado nas oitavas foi o Cruzeiro. Se estava empolgado por ter impedido o rival Atlético Mineiro de vencer o regional no ano de seu centenário, acabou desanimando após duas derrotas diante do Boca Juniors.

Apesar de viver um momento pouco inspirado, o pentacampeão São Paulo ainda entra no Brasileirão como um dos favoritos. Depois de mais uma temporada vitoriosa em 2007, o Tricolor começou o ano de forma conturbada, com problemas de relacionamento no elenco e fracas atuações. Embora ainda esteja na briga pelo título continental, entra no Brasileirão sob desconfiança, após a contratação de bad boys como Adriano, Fábio Santos e Carlos Alberto (este último já dispensado do elenco por mau comportamento). Se depender da concorrência neste ano, o atual campeão deverá ter muito trabalho.

Soy loco por ti, América – Se o foco inicial de São Paulo, Palmeiras, Internacional, Flamengo, Fluminense e Cruzeiro no começo deste Campeonato Brasileiro é o título, Botafogo, Santos e Vasco iniciam o torneio com o objetivo de alcançar a América, mais precisamente a classificação para a Copa Libertadores do ano que vem.

Os três não tiveram boa campanha no Nacional do ano passado (apenas o Santos conseguiu se classificar para a Libertadores em 2007, mas ficou muito atrás na briga pelo título) e nem foram bem nas competições locais neste ano, porém começam o Nacional com alguns trunfos que os colocam como times que “correm por fora” na busca do caneco.

O Botafogo, por exemplo, aposta no comando de Cuca e na criatividade de seu meio-campo, liderado por Lucio Flávio e Túlio, e na boa fase do atacante Wellington Paulista. O Santos, por sua vez, deposita suas esperanças nos passes do colombiano Molina e nos gols de Kleber Pereira, enquanto o Vasco investe no trio Edmundo, Leandro Amaral e Morais. Apesar das expectativas de seus treinadores, nem mesmo as torcidas desses clubes confiam plenamente na capacidade dos elencos.

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